
De 18 a 29 de setembro de 2026, três alunas da Universidade da Guiana participaram de um curso imersivo sobre sociobioeconomia em Belém e Santarém, no Brasil. Entre visitas de campo, palestras e trabalhos coletivos, elas exploraram as questões relacionadas à Amazônia.
Uma cooperação universitária entre a Guiana, a França e o Brasil
A escola imersiva em sociobioeconomia surgiu de uma colaboração entre várias instituições universitárias francesas e brasileiras. Seu objetivo é fortalecer os intercâmbios científicos e pedagógicos em torno das questões relacionadas à Amazônia.
Esta primeira edição é fruto de uma parceria entre a Universidade Federal do Pará (UFPA), representada pelo professor José Augusto Lacerda, e a Universidade Paris Est Créteil (UPEC), representada pelo professor adjunto Felipe Koch.
A Universidade Federal do Oeste do Pará também aderiu a essa iniciativa. Por sua vez, a Universidade da Guiana e a Embaixada da França no Brasil ofereceram apoio institucional ao projeto.
Nadège Mézié, especialista técnica internacional da Expertise France, também participou da organização dessa escola imersiva.
Além disso, o projeto Amabio, liderado pela Expertise France, e a aliança universitária europeia Aurora financiaram essa primeira escola de verão.
A iniciativa francesa Amabio busca, principalmente, fortalecer o financiamento da bioeconomia na Amazônia. Para isso, ela apoia os bancos públicos de desenvolvimento com o objetivo de promover uma abordagem sustentável e inclusiva.
Essa cooperação universitária, portanto, conecta pesquisadores, estudantes e atores locais. Ela promove um melhor conhecimento dos territórios, dos recursos amazônicos e das práticas relacionadas à sociobioeconomia.
Três alunas da Universidade da Guiana foram selecionadas
Em julho de 2026, o Escritório de Relações Internacionais da Universidade da Guiana lançou uma chamada para inscrições em parceria com a Embaixada da França no Brasil. Essa chamada era dirigida a estudantes de mestrado e doutorado.
Ao final do processo de seleção, três candidatas foram selecionadas: Emmanuelle Renard, Alizée de Bollardière e Vitória Taïlamé.
Emmanuelle Renard é aluna do mestrado em Civilizações, Culturas, Sociedades e Interculturalidades (CCS-SI). Suas pesquisas se concentram nos objetos promocionais e sua circulação no sul da Guiana.
Ela também se interessa por alternativas mais sustentáveis. Seu trabalho leva em consideração os recursos do território, as populações locais e as perspectivas oferecidas pela sociobioeconomia.
Alizée de Bollardière está cursando doutorado em antropologia social no LEEISA, o Laboratório de Ecologia, Evolução e Interação dos Sistemas Amazônicos. Ela estuda a pesca artesanal costeira, bem como os fluxos migratórios entre a Guiana Francesa e o Brasil.
Vitória Taïlamé é doutoranda em engenharia civil no laboratório ECOFOG (Ecologia das Florestas da Guiana). Ela está realizando uma tese CIFRE na empresa La Brique de Guyane.
Suas pesquisas se concentram em materiais de construção de terra crua que incorporam recursos biológicos locais.
Essas três trajetórias demonstram a diversidade das pesquisas realizadas na Guiana. Elas combinam as dimensões sociais, culturais, ambientais e técnicas da bioeconomia com questões concretas do território amazônico.
O financiamento da estadia das três alunas da Universidade da Guiana foi integralmente coberto pela Amabio.
Duas semanas de imersão entre Belém e Santarém
A Escola Internacional de Imersão em Sociobioeconomia ocorreu de 18 a 29 de setembro de 2026, no Estado do Pará, no Brasil. O programa foi organizado em duas etapas: primeiro em Belém e, em seguida, em Santarém.
Durante esse período, os participantes alternaram entre atividades acadêmicas, palestras, trabalhos em grupo, visitas técnicas e encontros com os atores locais.
Eles conversaram, principalmente, com associações de mulheres, artesãos, cooperativas, agricultores e líderes comunitários.
Vários temas orientaram as discussões, entre os quais os conhecimentos locais e tradicionais, a agricultura familiar e as práticas agrícolas no contexto amazônico.
Essa abordagem permitiu que os estudantes comparassem seus conhecimentos acadêmicos com as realidades do terreno. Ela também valorizou os conhecimentos desenvolvidos pelas populações dos territórios amazônicos.
À descoberta das comunidades e das áreas protegidas da Amazônia
Os participantes dessa escola imersiva sobre sociobioeconomia visitaram várias comunidades amazônicas. Eles foram, entre outros lugares, a uma aldeia indígena, uma aldeia indígena, bem como em várias comunidades ribeirinhas, localizadas às margens dos cursos d’água.
Essas visitas ocorreram em três categorias de unidades de conservação do Brasil. Elas ilustram a diversidade dos marcos administrativos e jurídicos que regem a proteção dos espaços naturais.
Os alunos descobriram, assim, uma RESEX (Reserva Extrativista), uma APA (Área de Proteção Ambiental) e uma FLONA (Floresta Nacional).
Esses diversos mecanismos permitem compreender várias formas de gestão dos territórios. Eles também oferecem perspectivas sobre a maneira como as comunidades desenvolvem suas atividades socio-bioeconômicas.
Graças a esses encontros, os participantes puderam compreender melhor as relações entre a conservação dos ambientes naturais, as atividades econômicas locais e os conhecimentos comunitários.
Pesquisas e conhecimentos compartilhados em toda a Amazônia
Da Guiana ao Pará, essa escola imersiva promoveu o diálogo entre as pesquisas acadêmicas e os conhecimentos provenientes das comunidades amazônicas.
O evento também permitiu abordar as perspectivas de valorização da sociobioeconomia a partir das realidades locais. Assim, as discussões aproximaram diferentes abordagens científicas e experiências de campo.
Para os estudantes, essa experiência representa uma oportunidade de descobrir outros métodos de pesquisa e de comparar seus trabalhos com as práticas dos atores locais.
Por fim, essa cooperação regional fortalece os laços entre as instituições e os parceiros localizados de ambos os lados da fronteira entre a Guiana Francesa e o Brasil.
Ela contribui para a disseminação de conhecimentos, métodos e experiências relacionados aos desafios comuns aos territórios amazônicos.
Uma cooperação amazônica em prol do intercâmbio acadêmico
Essa primeira escola imersiva sobre sociobioeconomia ilustra a importância das parcerias acadêmicas entre a Guiana Francesa e o Brasil. Durante duas semanas, as três alunas da Universidade da Guiana Francesa conheceram iniciativas locais e trocaram ideias com pesquisadores, estudantes e comunidades da Amazônia.
Essa experiência destaca a importância do diálogo entre o conhecimento científico e o conhecimento territorial para compreender melhor os desafios da sociobioeconomia.
Para conhecer as iniciativas que apoiam essa cooperação, consulte os recursos do projeto Amabio e da aliança universitária Aurora.
PERGUNTAS FREQUENTES
O que é a escola imersiva em sociobioeconomia?
Trata-se de um programa internacional que combina atividades acadêmicas, palestras e visitas de campo. Ele permite que os participantes estudem as questões da sociobioeconomia por meio das realidades dos territórios amazônicos.
Quando e onde aconteceu esse curso imersivo?
O curso foi realizado de 18 a 29 de setembro de 2026 no Estado do Pará, no Brasil. As atividades ocorreram em Belém e em Santarém.
Quais alunas representaram a Universidade da Guiana?
Três alunas participaram: Emmanuelle Renard, do mestrado em CCS-SI; Alizée de Bollardière, doutoranda em antropologia social no LEEISA; e Vitória Taïlamé, doutoranda em engenharia civil no laboratório ECOFOG.
Quais instituições organizaram essa escola imersiva?
A iniciativa surgiu de uma colaboração entre a Universidade Federal do Pará e a Universidade Paris Est Créteil. A Universidade Federal Oeste do Pará passou a integrar o projeto. A Universidade da Guiana e a Embaixada da França ofereceram seu apoio institucional.
Quais parceiros financiaram essa escola de verão?
O projeto Amabio, liderado pela Expertise France, e a aliança universitária europeia Aurora ofereceram apoio financeiro. A Amabio também arcou com as despesas da estadia das três alunas da Universidade da Guiana.
Quais temas os participantes estudaram no Brasil?
As discussões versaram sobre conhecimentos tradicionais, agricultura familiar e gestão dos territórios amazônicos. Os participantes também conheceram várias comunidades locais e três categorias de unidades de conservação: RESEX, APA e FLONA.
na Amazônia. O cartaz do evento anuncia esse encontro para o dia 1º de outubro, às 14 horas, no Auditório do IFCH da UFPA.



